KhalliceThe Journey
Na seção "auto-review", o músico comenta separadamente faixa por faixa do álbum, abordando técnica, estilo e temática... Marcelo Barbosa, guitarrista do Khallice, fala sobre o álbum "The Journey".
Loneliness: "É a faixa mais Prog Metal do CD. Representa bem o que virá em nosso próximo trabalho. Foi uma das últimas músicas a ser composta para o CD e fica bem clara a influência que a banda tem de Dream Theater. Tem uma longa passagem instrumental com excelentes solos de guitarra e teclado. A letra fala de um cara que está se sentindo só, amargurado, pensando em se matar e que no final reencontra no amor uma razão para viver".
I’ve Lost my faith: "Também faz parte das músicas mais recentes da banda. Em algumas partes lembra bandas de prog setentistas. Tem o peso do Metal em quase toda música, mas com climas e nuances bem distintos. O vocal dessa música é bem versátil, com passagens que chegam a lembrar Dave Mustaine, além de agudos incríveis no final. A letra fala sobre uma pessoa que se encontra em um momento de vida no qual ela perda a fé e começa a questionar os seus valores espirituais".
Spiritual Jewel: "Uma das minhas favoritas, resume bem o estilo do Khallice. Tanto com partes pesadas como com partes suaves, mudanças de andamento e de compasso com belíssima interpretação de Alírio Netto. Em alguns momentos dá pra perceber uma clara influência de Yes. Fala sobre uma busca pela paz interior".
Wrong Words: "Influência clara de Rush em seu arranjo, é uma das minhas favoritas das músicas mais antigas. A letra trata de como a espiritualidade e a religiosidade têm se distanciado de sua essência ao longo dos tempos".
Thunderstorm: "Balada com o refrão bem marcante. A tempestade representa o estado psicológico de uma pessoa que não está em paz. É uma analogia, mais ou menos como quando dizemos que 'o tempo está fechado', e de como ficamos cegos as coisas boas da vida quando estamos nesse estado".
Vampire: "Essa é uma música que tem uma pegada meio Metal Melódico em algumas partes. Em alguns momentos nota-se a influência de Rush também, que é uma de nossas bandas favoritas. No final dessa música tem um solo muito legal de guitarra tocando em uníssono com o teclado. A letra fala sobre vampiros, fazendo uma clara menção não dos vampiros que não existem, mas sim dos vampiros de energia e de alma, que é o que mais tem por aí".
Turn the Page: "Essa música, apesar de ter partes bem pesadas, possui uma grande influência de Pink Floyd, principalmente em sua primeira parte. É bem arrastada e as partes pesadas são realmente pesadas. Fala de traição e de como devemos saber perdoar e virar a página, mesmo às vezes sendo muito difícil".
Prophecy: "Bem Prog essa, com muitas partes diferentes e coladeiras de baixo, guitarra e teclado. Fala de uma pessoa que busca em um profeta as respostas para a sua vida, percebendo finalmente que está perdendo seu tempo, pois apenas ele mesmo pode saber tais respostas".
The Journey: "Essa tem uma clara influência Hard Rock e Rock’n Roll, com um riff de guitarra totalmente Deep Purple. Foi a primeira música da banda e sua letra nos diz para acreditar e correr atrás dos seus sonhos, que um dia eles se realizam".
Madman Lullaby: "Essa música é um arranjo para 'A balada do louco', de Arnaldo Baptista. Foi feita para um CD coletânea, um tributo ao Arnaldo Baptista, que foi produzido por Mário Pacheco, daqui de Brasília. Acabou que a nossa versão nem entrou no CD, apesar de ter sido muito elogiada até mesmo pelo autor. Parece que houve um desentendimento entre o Mário Pacheco e o Mário Linhares, que na época era o nosso vocalista. De qualquer forma a versão ficou tão legal que resolvemos incluí-la em nosso primeiro trabalho. Essa música não está no CD, mas pode ser baixada gratuitamente em nosso website".
BRASIL MUSIC PRESS: Comente sobre o título e a temática do álbum como um todo.
Marcelo Barbosa: O título "The Journey" vem do um título de uma de nossas músicas. Além do nosso trabalho com a música já ter se tornado realmente uma jornada, a letra dessa música, fala justamente sobre essa busca pela realização de um sonho. Sobre não desistir e acreditar que vamos alcançar os nossos objetivos. Como o lançamento desse CD foi a concretização de um sonho coletivo, não tivemos dúvida quanto ao título.
O CD tem uma temática variada, mas o que realmente predomina nas letras são os sentimentos humanos. Como disse antes temos, por exemplo, a letra da "The Journey" que é super positiva, enquanto temos "Lonelinnes", na qual em um determinado momento ele pensa em desistir de tudo e acabar com a sua própria vida. É uma mistura de sentidos e sentimentos que expressamos através de letra e música.
BRASIL MUSIC PRESS: mencione os hits do álbum na sua opinião e justifique a escolha.
Marcelo Barbosa: Os hits do álbum com certeza são "Vampire", "Lonelinnes" e "Spiritual Jewel". A gente sente isso nos shows, na conversa com os fãs e na enquete que temos em nosso site.
"Vampire" sempre foi a música mais pedida pelos fãs nos shows. Acho que muito por ela ter alguma coisa de Heavy Melódico, com velocidade e peso. O refrão dela também ajuda, com uma melodia bonita e fácil de ficar na cabeça. "Lonelinnes" é um prato cheio para os fãs de prog propriamente dito. É a música mais Prog do "The Journey" e, além disso, tem uma letra pesada, mas com final positivo. "Spiritual Jewel" é uma música muito bonita. A introdução de piano e voz, seguida do peso e cadencia conduz o ouvinte a um crescente que no último segunda da música.
BRASIL MUSIC PRESS: compare tecnicamente com o trabalho anterior.
Marcelo Barbosa: Não tem muito como comparar. Nossa Demo anterior a esse CD foi gravada há muitos anos. Apesar de ter sido gravada no mesmo estúdio em que fizemos o CD, a experiência de todos os músicos e do produtor fez a coisa soar bem diferente. Na Demo o vocalista ainda era o Mário Linhares. Nós mudamos alguns dos arranjos, timbres de teclado e guitarra, algumas melodias, para poder adequar as musicas mais velhas ao nosso gosto musical atual.
BRASIL MUSIC PRESS: comente sobre as gravações, equipamento usado e produção sonora.
Marcelo Barbosa: A produção musical do "The Journey" ficou por conta do nosso tecladista na época, o Bruno Wambier. Ele trabalha há muitos anos no estúdio em que gravamos, o Zen Studios além de ter um pequeno estúdio em casa. O fato de ele tocar na banda facilitou muitas coisas, pois nenhum produtor conheceria as músicas tão bem quanto ele. Gravamos a bateria em analógico, se não me engano em 2 polegadas, pra captar um som quente e depois passamos para o computador. O resto todo foi gravado no PC, mais precisamente com um software chamado Nuendo. Apesar de termos feito uma gravação digital, o Zen conta com inúmeros periféricos como compressores valvulados, equalizadores etc, os quais usamos muito. A masterização ficou por conta de Guilherme Bonolo, meu amigo pessoal, que trabalhou durante mais de dez anos com o Raimundos, acumulando durante esse período uma grande experiência.
BRASIL MUSIC PRESS: fale sobre a capa e produção gráfica.
Marcelo Barbosa: A capa do CD foi feita por uma empresa de um amigo meu, a Art Mix que colocou em imagens o que eu tinha apenas em idéias. Trata-se de uma representação moderna da deusa indiana Kali. Ela surge de um cérebro e se move sobre as águas demonstrando o seu poder. E o seu caminho sobre a água representa justamente a nossa "jornada", que está apenas começando com esse primeiro trabalho.
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